Escola recebe homenagem de Majori Claro

Publicado em 26/10/2015 às 12h48

     A nossa escola recebeu uma ilustre homenagem da escritora Majori Claro, através do Facebook. Majori esteve na escola na última quarta-feira, no 1º DoroLer - Leitura em Movimento, participando de um bate-papo com os alunos do Ensino Fundamental II. Segundo a professora de Português e Alemão, Clair Arend, a participação da escritora no evento foi muito positiva, já que desde o ano passado os alunos do 6º ao 7º ano estão lendo o livro "Amália, a espantalha", de autoria de Majori Claro. Durante o encontro, a auxiliar administrativa pedagógica, Rosana Kohlrausch, presenteou a escritora com a "Amália, a espantalha", produzida por ela.

    Confira abaixo, o texto de Majori Claro no facebook:

"Mais uma vez, a surpresa se confirma. Chego a lugares que nem sabia que existiam, mas minha pequena obra chegou antes, dialogou por mim, emocionou por mim, incomodou por mim. Tudo, tudo sem o meu consentimento: vejo, então, que ela é maior do que eu. Claro que ter sido publicada por uma editora grande como a FTD é o que torna isso possível, e sou muito grata pela aposta. Aproveito para agradecer à Elisabete e a todos os outros que me guiaram tão gentilmente durante estes dias! Mas seria diferente se o produto fosse outro. Fosse eu uma responsável por visitar supermercados do Brasil que vendem o sabonete que represento, por exemplo, por mais abrangente que fosse a distribuição, nada disso resultaria em emoção tão pungente. É a literatura que faz isso, aliada à arte da educação, que, vamos combinar, é arte para poucos... Mas qual não foi a minha surpresa ao chegar numa escola em Taquara (RS) e ver que o belíssimo trabalho interdisciplinar feito a partir da leitura do meu livro por esses bravos educadores resultou numa tenda enorme montada para representar a cena final? Ou topar com um mural repleto de reflexões filosóficas suscitadas pelo livro? Ou ver trechos do meu livrinho traduzidos para o Alemão pelos alunos em conjunto com o professor desta língua? Ou ganhar de presente uma boneca feita com beleza e criatividade pela professora de artes, que passou parte de sua noite corrigindo os cílios da boneca? Ou ouvir da bibliotecária que ela foi para o canto da biblioteca chorar em algumas passagens do livro? Sem falar na professora de Português, que virou minha amiga de face e que é pura sensibilidade e doação!!! Obrigada, Clair! E também na diretora Simone, maestra de tudo isso... E as crianças? Tive contato com centenas de leitores em apenas dois dias e pude ver o olhar falante de cada um deles em cada rápido autógrafo. Ouço coisas das mais lindas às mais engraçadas. Perguntam se estão filmando o meu livro, por que eu pareço tão mais velha agora que na foto da contracapa, por que eu mudei a cor dos cabelos, rsrs. Enviam bilhetinhos com dicas literárias, querem saber de todas as minhas inspirações e até com que tipo de roupa escrevo! Um deles quis que eu interpretasse psicologicamente o sonho da protagonista, e o outro me agradeceu muito, porque, tendo ele chegado de outro estado, foi beneficiado pelo tratamento dado ao tema do bullying que, constando do livro, culminou num trabalho em sala de aula. Sinto vergonha de estar escrevendo tão pouco! Não foi diferente nas escolas de Porto Alegre ou em Canoas, assim como tinha sido em Curitiba e Florianópolis. Falo isso sem falsa ou verdadeira modéstia, porque essa coisa tem muito pouco a ver comigo. Fora as questões de mercado e distribuição, tem a ver com esses professores lindos que doam suas vidas para educar do melhor modo que podem essas crianças; tem a ver com esta molecada criativa, exigente e inquieta; tem a ver com a literatura e seu alcance profundo; tem a ver com Fernando Pessoa, que toca a alma de todos nós a cada palavra.... Quando me dispus a apresentar Caeiro, pela via da ficção, para crianças de 12 a 14 anos, sabia que burlava num vespeiro. Não somente pela complexidade de sua poesia, mas porque sua mensagem de algum modo refuta tudo o que o adulto de hoje quer dizer à criança: cresça e aprenda, pois a sabedoria está na cultura e em seus instrumentos de transmissão. Mas minha vontade era (e ainda é) gritar: Hei, não caia nesse engodo tão desavisadamente! Conserve em si o olhar poético, que vê o mundo sempre como se fosse a primeira vez. Não vá aderindo àquilo que te dizem que diz o vento, pois o vento só fala do vento (imagem de Caeiro)... Duvide de representações. Comunique-se diretamente com a vida, estabelecendo com ela uma relação sensorial. Transgrida, como somente os poetas e as crianças transgridem, quando ingressam pela via das palavras com a intenção de que a palavra deixe de ser palavra e volte a virar coisa. Que a palavra já caduca volte a ser encantamento, feitiço verbal, magia. Acho que consegui um pouquinho. Estou feliz! Mas meu poeta fala melhor do que eu: "Olho, e as cousas existem. Penso e existo só eu". Olhemos."

Categoria: Séries Inicias - 6º ao 9º ano

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